GOL VOO 1907  AGONIA E EXTASE

29/09/2016 11h23 - Atualizado em 29/09/2016 13h23

Acidente com avião da Gol que matou 154 pessoas completa 10 anos

 

MANAUS.

 

Um Gol se prepara para decolar, bonito na pintura branco e laranja, dentro dele cento e cinquenta e quatro almas esperançosas de chegar em algum lugar. Mas todos sem saber tem um compromisso, um encontro, com a morte e no mesmo lugar.

 Dentro do avião já no ar as cabeças pensam coisas diversas, ou até semelhantes, coincidentemente iguais. Penam em dinheiro, fortunas, doenças, curas, amigos, parentes, esposa e filhos, animais de estimação, viagens, futuro, passado, presente, cabeças sempre pensam e pensam sem parar.  E escondido em corações viajam maldades, bondades, piedade, abusos, rogos, maldições, coisas da vida. São pessoas com medo, sem medo, ansiosas, esperançosas, c acomodadas, querendo dormir, beber e comer, divertir com o avião, todos na ansiedade escondida do logo aterrissar e desembarcar pois é assim que sempre acontece, até para os que no avião trabalham.  E o Gol segue seu voo a mais que dez mil metros de altitude sobre o Brasil.

 Do Rio de Janeiro outro avião parte, menor, mas veloz o tanto quando o Gol, neste dois homens pilotando sentem ganas de logo retornar a sua pátria, ao conforto da vida americana diferente da nossa, eles sabem pilotar um Legacy comprado, mas não totalmente e um deles desliga um aparelho que salva vidas evitando choques aéreos. E o Legacy se torna então a foice da morte.

 A uma velocidade de mais que oitocentos quilômetros por hora fica praticamente impossível se notar outro corpo viajando a grande veloci9dade no mesmo espaço, vindo ao encontro e quando se percebe, é tarde demais. E foi isso que aconteceu sob o céu de Mato Grosso.

 

 Um avião enorme levando cento e cinquenta e quatro almas esperançosas, um avião menor levando cinco pessoas entre elas dois pilotos ignorantes, um choque de uma ponta de um estabilizador horizontal de um avião menor no avião maior e a tragédia está consumada.

Agonia de dois pilotos em ver um avião sem controle começando a desintegrar em queda parafuso, segundos para a morte. No Legacy ao notar o resultado um pouso forçado em outro No Legacy o choque quase nem foi percebido, no Gol, o desespero aeroporto, no Gol, agonia véspera do êxtase.

 Segundos separam cento e cinquenta e quatro vidas da morte, igual para todos, no mesmo local, a mesma hora, minutos e segundos. No ar um avião cai em segundos em rodopios, a bordo na descompressão zumbidos e dor nos ouvidos, falta do ar, pessoas sem entender, querendo entender, agoniada prevendo o fim. E uma caixa preta aberta depois revela essa agonia, frases curtas sem dono, vozes, vozes, vozes:

 

-- Ai meu Deus, o que foi isso?

-- Aí.

-- Aí meu Pai.

-- Deus nos ajude?

-- O que acontece meu pai?

-- Merda, fomos atingidos.

-- Mãe, não quero morrer.

--- Padre nosso que estas no...

 

 Um estrondo, um choque brutal, tudo acaba ali para quem vive, depois silêncio, in compreensão, o saber nada, o ver tudo sem compreender, pedaços de avião, de mato, de gente, do seu corpo também. Mas onde estou? Agonia precedendo ao êxtase.

Uma luz surge iluminando o escuro. Mas a luz de onde vem?  Alguns entendem e caminham para ela, outros se negam, outros choram sem ter lágrimas, outros não vêm a luz, só trevas, algo os atormenta. É o fim, o começo, seguem a luz os conformados, seguirão os menos culpados, sofrerão os que não merecem sem paga? Agonia e êxtase.

É o encontro marcado realizado e o fim de cento e cinquenta e quatro almas que pensavam, imaginavam, sentiam alegria, dor, sofrimento, tudo dentro de corpos viventes, mas agora se acabou. Tudo será paz para alguns, agonia para outros, é o depois.

 Longe dali dois pilotos tentam se omitir da culpa, mas não conseguem, são levados a prisão brasileira, mas inocentados pela estrangeira e vão embora levando suas culpas sem parecer as sentir

 Nos aeroportos, casas de família, outros locais, a notícia da queda do Gol, choro, tristeza, agonia, desespero de parentes, amigos, mas nada se pode fazer a mais que isso.

 Na mata virgem o silêncio do depois, o apodrecer da carne morta sem socorro, o breu da noite e a luz do dia.

 E ali naquele local chegam depois helicópteros com militares que desembarcam tapando o nariz, o mau cheiro é terrível, corpos despedaçados, irreconhecíveis, imolados, espalhados e juntos, sangue negro seco, sangue vermelho ainda vivo, lata, metal, borracha, panos, tudo misturado em uma salada diabólica em uma imensa clareira aberta na mata. Destroços de um avião.

 E soma-se esta a muitas outras tragédias semelhantes ocorridas no brasil e no mundo,  com sobreviventes e não, mesma agonia e êxtase, mesmo final com hora marcada para todos. Avião, meio seguro de voar,  mas o homem nasceu sem asas e acidentes acontecem.

 

 FIM???

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Comentários

  1. Meu caro amigo, aculpa deste acidente foi dos controladores brasileiros,
    O LEGACY partiu de São José dos Campos com aotprizaçãp de nível de voo 350 até Miami.
    Quem dvia trocar o nível de voo era o controlador de Brasília, que não o fez. O controle Manaus deveria sabr que não poderia dar esse nível ao gol, mas não sabia. O fato de ligar ou desligar o transponder não afeta o controle de voo, pois não é equipamento mínimo de voo. Eu acho que a incompetência de nossas entidades nunca vão ser julgadas. Veja Mariana e Brumadinho e mais recente o incêndio da boite Kiss. Condenram o queijo e esqueceram dos ratos das atividades fiscalizatórias.
    Abraços, Rochinha

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